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Vamos iniciar o texto deste mês contando uma típica história daquele famoso menino, o Joãozinho....

“Joãozinho ia para escola de van observando a paisagem, as pessoas, o trânsito, enquanto seus colegas conversavam. Sempre que a conversa era direcionada para ele, Joãozinho respondia: “Oi? Que foi? Estão falando comigo? ” E os amigos caiam na gargalhada. Todos os colegas do transporte escolar o consideravam “esquisito”. Na escola, não era muito diferente. Enquanto a professora explicava a matéria, por mais interessante que fosse, lá estava Joãozinho rabiscando algumas histórias sobre pássaros em seu caderno e pouco escutando as coisas a seu redor.... Porém, quando em frente a um jogo de vídeo game, ahhhhhh... Joãozinho ficava horas entretido... e quantas vezes sua mãe o chamava enquanto jogava e ele nem ao menos escutava? ”

Quantos “Joõezinhos” você conhece? Será que você, mesmo adulto, identifica-se com o “Joãozinho”? Você se percebe desatento? Isso já lhe trouxe prejuízos?

Pois bem, vamos falar sobre os esquemas mentais relacionados à atenção.

Atenção pode ser entendida como a capacidade que temos de focalizar, em cada momento determinado, aspectos do ambiente, deixando de lado o que for dispensável.

Vamos a um exemplo: você consegue perceber a estimulação sensorial da roupa que está vestindo neste momento? Possivelmente não, pois saiba que ela estimula nossos receptores táteis a todo instante, contudo, só a percebemos se tornarmos consciente este estímulo, ou seja, direcionarmos nosso foco de atenção para ele.

Nosso Sistema Nervoso seleciona a informação de várias maneiras sendo, portanto, influenciado em diversas circunstâncias. A primeira delas que podemos destacar é o nível de vigilância. Sono ou agitação (ansiedade) alteram nossa capacidade de manter a atenção. Deste modo, para manter-se atento, é necessário um nível adequado de vigília a fim de que o cérebro possa focar a consciência naquilo que é considerado importante.

Vamos a uma outra situação: imagine-se em uma reunião social. Você está conversando animadamente com seus amigos, quando, de repente, escuta seu nome sendo pronunciado no grupo ao lado. Imediatamente, seu cérebro desloca seu foco de atenção para o outro grupo e você perde, pelo menos por alguns instantes, o interesse na conversa que estava mantendo com seus amigos, até que consiga captar, de forma precisa, o que estavam falando de você. Se isso já lhe aconteceu, você acionou seu “circuito orientador”, ou seja, desviou sua atenção para um estímulo mais relevante em um determinado momento.

Temos também um segundo circuito chamado circuito executivo, este permite que se mantenha a atenção prolongada, ao mesmo tempo em que são inibidos os estímulos capazes de nos distrair. Esta sim é aquela tão necessária atenção focada, que nos permite ficar concentrados em alguma tarefa, mesmo não sendo ela tão interessante assim. Alterações neste circuito estão presentes nos portadores de Transtorno de Déficit de Atenção/hiperatividade (TDAH).

Outro mecanismo interessante da atenção é o fato de conseguirmos “dividi-la”. Adolescentes e adultos jovens têm uma enorme capacidade de fazê-lo. Escutam música ao mesmo tempo em que estão fazendo exercícios e conversando com seus colegas em seus smartphones. Porém, vale ressaltar que estes estímulos não conseguem ser processados ao mesmo tempo, então o cérebro alterna a atenção entre eles. Lembrem-se de que O CÉREBRO SÓ CONSEGUE PRESTAR ATENÇÃO EM UMA COISA DE CADA VEZ! Dirigir um carro e ouvir música, ao mesmo tempo, divide nossa atenção! Se estivermos mais atentos à música do que ao trânsito, podemos não perceber alguma mudança no cenário e causar um acidente. Do mesmo modo, se o trânsito está pesado e você direciona sua atenção para ele, possivelmente não irá se lembrar do que o rádio transmitiu naquele momento.

O cérebro, portanto, prestará mais atenção naquilo que for julgado mais importante. Desta forma, o alvo da atenção será sempre aquilo que seja estimulante e agradável.

Porém, todos nós precisamos desenvolver a habilidade de mantermo-nos atentos e focados, mesmo em situações não tão motivadoras, pois todos necessitamos trabalhar, estudar para escola, faculdade ou concurso, relacionarmo-nos, etc. Pessoas desatentas costumam ter prejuízos em suas relações, sejam elas profissionais ou pessoais.

O segredo de manter-se atento não reside no fato de eliminarmos os estímulos que nos distraem, mas sim, mantermo-nos firmes naquilo que efetivamente necessita de nossa atenção, ou seja, um ato consciente de direcionamento. Esta habilidade é passível de ser treinada, desenvolvida a partir de estímulos e exercícios. Então, se você tem alguma dificuldade em direcionar e manter sua atenção, que tal tentar exercitar seu cérebro?

Até a próxima pessoal!

Tatiana Vasques C. dos Santos, é enfermeira, formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO), Doutora em Enfermagem pela UFMG e Mestre em Enfermagem pela UNIRIO. Pós-Graduanda em Neuropsicopedagogia Clínica pela Faculdade São Fidélis / CENSUPEG. Professora universitária e com larga experiência na docência do Ensino Superior. É diretora franqueada do Método Supera – unidade Manhuaçu. Contato: (33)3332-1411 / manhuacu@metodosupera.com.br

*Resenha do Capítulo 3 (A lanterna da Janela), do livro COSENZA, Ramon M; GUERRA, Leonor B. Neurociência e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011; pg. 41-49.
 

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Tatiana Vasques

Tatiana Vasques C. dos Santos, é enfermeira, formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO), Doutora em Enfermagem pela UFMG e Mestre em Enfermagem pela UNIRIO. Pós Graduanda em Neuropsicopedagogia pela Faculdade São Fidélis / CENSUPEG. Professora universitária e com larga experiência na docência do Ensino Superior. É diretora franqueada do Método Supera – Unidade Manhuaçu. Contato: (33) 3332-1411