Portal Caparaó

carregando...

COLUNISTAS

Acabo de retornar da sessão do filme “Procurando Dory”, e ao assisti-lo fui tomada por uma enorme inquietação! Fiz tantas, tantas, tantas, milhares de sinapses, que decidi dividir com vocês um pouco das minhas reflexões...

O filme começa com takes da Dory, a linda peixinha azul, alegre e simpática, ainda bebê, já repetindo: “Oi, eu sou Dory, e sofro de perda de memória recente”.

Esta memória é aquela de “curto prazo”, na qual deixamos registradas as informações o tempo necessário para que estas sejam manipuladas, e uma decisão seja tomada. Este tipo de memória difere-se da memória de longo prazo, daquelas que muitos chamam “lembranças”. Cada um destes tipos de memória envolve uma área diferente do cérebro, e do mesmo modo, se processam através de contextos bem diferentes.

Pois bem, mas o que me chamou atenção no filme?

A começar pelo título: “Procurando Dory”!!!

Vamos procurar as “Dorys”?? Quantas “Dorys” existem por aí? Nas escolas, nas empresas, nas ruas? Que rótulos será que recebem?? Não existem somente “Dorys” “esquecidas”, existem as “disléxicas”, as “disgráficas”, as que apresentam déficit de aprendizagem por distúrbios de processamento auditivo, ou até mesmo por Síndromes psiquiátricas.

Minha maior inquietação é imaginar quantas destas “Dorys da vida real” não tem a mesma sorte da nossa peixinha da ficção, e são excluídas, rotuladas, apontadas como incapazes, indisciplinadas ou burras (perdoem-me a força da expressão, mas infelizmente este palavrão ainda faz parte do vocabulário escolar e acadêmico).

Nossa Dory do filme, foi TREINADA por seus pais a achar o caminho de casa, e eles repetiram a ação de mostrar a ela as conchas, como mapas, tantas e tantas vezes, que conseguiram registrar no cérebro de Dory uma marca, uma lembrança, uma memória de longo prazo, ou seja, um APRENDIZADO, que a salvou e motivou a buscar sua família.

Que relação poderíamos tirar deste “treino” para as nossas “Dorys da vida real”? O que as escolas oferecem a elas? E as empresas? Que fique a pergunta para reflexão....

Outro ponto de destaque de nossa personagem, é a capacidade plástica que nosso cérebro possui, pois apesar de apresentar problemas no processamento da memória de curto prazo, nossa peixinha, desenvolveu ao máximo sua flexibilidade cognitiva, aquela relacionada a capacidade de mudar, com eficiência, de uma alternativa para outra, tendo em vista as alterações do ambiente. Quando os personagens ditos “normais”, consideravam que todas as alternativas já haviam chegado ao fim, eis que Dory avalia ao redor e lança uma solução viável!

Dory é mesmo sensacional!!!

Por fim, o que aprender com Dory?

1 - Que todo ser é dotado de Inteligência!  Aquela máxima de “quem é mais inteligente, é o que tira a maior nota”, deve cair por terra! O “mais inteligente” de hoje é o que consegue superar seus próprios desafios, adaptar-se nas diversas circunstâncias, e principalmente, ter um comportamento voltado a metas!!!

2 - O ensino formal PRECISA, ser revisto!!! A ludicidade do filme, se trabalhada em conteúdo junto a educadores, irá apontar tais necessidades! Nos personagens há talentos de todo tipo, assim como uma sala de aula repleta de alunos...

3 - TREINAMENTO DE FUNÇÕES EXECUTIVAS dever ser o foco das ações educacionais e pedagógicas. Foi exatamente o TREINO que resgatou a autoestima de Dory, e a fez atingir seus objetivos.

4 - Por fim, aprender que nada sabemos! O mínimo que nos cabe é Continuar nadando!!!!!!!”

 

Tatiana Vasques C. dos Santos, é enfermeira, formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO), Doutora em Enfermagem pela UFMG e Mestre em Enfermagem pela UNIRIO. Pós Graduanda em Neuropsicopedagogia Clínica pela Faculdade São Fidélis / CENSUPEG. Professora universitária e com larga experiência na docência do Ensino Superior. É diretora franqueada do Método Supera – unidade Manhuaçu. Contato: (33)3332-1411 / manhuacu@metodosupera.com.br

Compartilhar

Últimas Colunas

Tatiana Vasques

Tatiana Vasques C. dos Santos, é enfermeira, formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO), Doutora em Enfermagem pela UFMG e Mestre em Enfermagem pela UNIRIO. Pós Graduanda em Neuropsicopedagogia pela Faculdade São Fidélis / CENSUPEG. Professora universitária e com larga experiência na docência do Ensino Superior. É diretora franqueada do Método Supera – Unidade Manhuaçu. Contato: (33) 3332-1411