Renan no Senado, Henrique Alves na Câmara. É o Congresso se transformando em poleiro de pato ao eleger parlamentares sujos e envolvidos na lama da corrupção.O Congresso se avilta e se apequena ao eleger Renan e Henrique Alves, que deveriam receber logo no início da primeira reunião legislativa a visita de representantes da Procuradoria da República.
Envolvido em vários escândalos de corrupção, Renan Calheiros é alagoano e gosta do “pudê”. Um representante do cangaço, embora estranhamente tenha passagem pelo PC do B na sua vida política. Na sua primeira subida da rampa do Senado, um pequeno público recebeu com xingos e vaias, incluindo os sonoros epítetos de sem vergonha, safado e ladrão.
A raríssima banda ética do Senado, tendo como figura exponencial Pedro Simon, do Rio Grande do Sul não votou em Renan e sim escolheu o Senador Pedro Taques, que tem se destacado com virulência no ataque a corrupção.
Henrique Alves foi eleito presidente da Câmara dos Deputados e na sua chapa não tem nenhum representante de Minas. Na disputa ouviu-se a rara bravura cívica do Deputado Julio Delgado, do PSB de Juiz de Fora , que enfrentou o favorito dos mandarins da República , tendo alcançado boa votação. Corajosamente Julio Delgado disse da tribuna as falcatruas de Henrique Alves, que favoreceu um assessor parlamentar com emendas do governo federal.
Abandonado por alguns membros da bancada de Minas, Julio Delgado prosseguiu firme fazendo o contraponto ético contra Henrique Alves, agora já bajulado por alguns deputados federais mineiros, depois da vitória. Parlamentares que gostam de seguir o canto mavioso da cotovia governamental, que sempre é sinal de favores e benesses.
Antônio Carlos Andrada, Carlos Luz, Pedro Aleixo, José Bonifácio Lafayette Andrada (Zezinho) foram nomes da tradição de Minas que exerceram a presidência da Câmara dos Deputados, desde a República Velha, passando pela redemocratização após as trevas do Estado Novo, na redemocratização dos anos 50 e até mesmo no período do regime militar. Mais recentemente, Genésio Bernardino e o neto de Tancredo, Aécio Neves representaram a voz altiva de Minas no comando do Parlamento Nacional.
Renan e Henrique Alves, os dois comandantes das duas Casas do Congresso, ao contrário dos verdadeiros himalaias do passado que honraram as presidências daquelas Casas, são pigmeus da política. Triste retrato de uma política chinfrim, deletéria, onde a filosofia franciscana às avessas do que é dando que ser recebe marcará a partitura de uma orquestra comandada por dois maestros da corrupção.
O poleiro está mais sujo no Parlamento Nacional. Infelizmente, combater corrupção no Brasil é como bater na mesma tecla de um velho e desafinado piano.
Colunas
Poleiro de Pato
Renan no Senado, Henrique Alves na Câmara. É o Congresso se transformando em poleiro de pato ao eleger parlamentares sujos e envolvidos na lama da corrupção.O Congresso se avilta e se apequena ao eleger Renan e Henrique Alves, que deveriam receber logo no início da primeira reunião legislativa a visita de representantes da Procuradoria da […]