Pedro Simon está se despedindo do Congresso. Pedro Simon é uma das últimas reservas morais do Parlamento brasileiro. Espécime em extinção. Pedro Simon é o último dos moicanos em termos de ética e correção na vida pública.
Pedro Simon trouxe dos pagos sulinos a chama da Revolução Farroupilha. Ao subir a tribuna do Senado, seu verbo de fogo e cáustico queimava como ferro em brasa na face dos políticos , ainda que do seu partido, o PMDB, surpreendidos em desvios éticos, envolvido em maracutaias ou – para utilizar o eufemismo da moda – flagrados na prática de malfeitos.
Sua palavra se transformava em látego cortante a castigar os corruptos, os bandidos da política, os larápios do dinheiro público.
A bravura indômita que Pedro Simon trouxe dos pampas do Rio Grande do Sul tem um certo componente sociológico que une ao mesmo tempo o positivismo de Júlio de Castilhos, o ideário republicano de Pinheiro Machado, a visão do estadista Getúlio Vargas , os dotes tribunicios de João Neves da Fontoura, o grande tribuno da Revolução de 30 e o amor à legalidade de Borges de Medeiros.
Pedro Simon se despede do Congresso depois de 60 anos de vida pública, lançado que foi nos sortilégios da política pelo mestre Alberto Pasqualini. Conviveu no Congresso com outras reservas morais da política que já nos deixaram, como as grandes árvores das florestas, que estão escasseando, entre os quais cito os de minha maior preferência, como Teotônio Vilela, Ulysses Guimarães e Itamar Franco.
Paradigma da ética na política, fica o exemplo de Pedro Simon como aqueles Varões de Plutarco dos Anais de Tácito e como aqueles heróis da guerra do Peloponeso cujas virtudes foram realçadas pelo épico discurso de Péricles.
“Vou semear agora em outros campos férteis, vou para onde estão os jovens, porque deles é o reino do futuro”, anuncia o velho Pedro Simon, que agora parte em pregação cívica país afora ensinando política à juventude.
Suas últimas palavras de despedida no Senado foram dirigidas ao Juiz Sérgio Moro e ao Ministro aposentado Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal. “São abnegados, que gritam e lutam contra a corrupção”.
Pedro Simon se despede do Congresso. Pedro Simon abandona a ida pública. A ética na política está órfã.
Colunas
Pedro Simon, o último dos moicanos
Pedro Simon está se despedindo do Congresso. Pedro Simon é uma das últimas reservas morais do Parlamento brasileiro. Espécime em extinção. Pedro Simon é o último dos moicanos em termos de ética e correção na vida pública. Pedro Simon trouxe dos pagos sulinos a chama da Revolução Farroupilha. Ao subir a tribuna do Senado, seu […]