Existem muitos "miquinhos amestrados" no atua

A turma do deboche

O deboche da então deputada federal petista Ângela Guadagnin comemorando com uma dança bizarra a absolvição do colega petista mineiro João Magno no Plenário da Câmara, em pleno escândalo dos mensaleiros e sanguessugas. A dança da deputada, uma autêntica "tarantela" festejando a corrupção, foi transmitida pela televisão , emporcalhando a imagem do Parlamento. O deboche […]

O deboche da então deputada federal petista Ângela Guadagnin comemorando com uma dança bizarra a absolvição do colega petista mineiro João Magno no Plenário da Câmara, em pleno escândalo dos mensaleiros e sanguessugas. A dança da deputada, uma autêntica "tarantela" festejando a corrupção, foi transmitida pela televisão , emporcalhando a imagem do Parlamento. O deboche rasgado de dona Marta da antológica frase "relaxa e goza", ao ser entrevistada sobre as longas e exaustivas esperas nos aeroportos. O deboche irônico do Ministro Guido Mantega dizendo que a demora nos vôos é sinal de prosperidade. Agora, num gesto desvairado sem precedentes para uma autoridade pública, o deboche não poupou nem mesmo a tragédia do Vôo 3054, Airbus da TAM que matou cerca de 200 pessoas , ao explodir depois de tentar aterrissar na pista molhada (e sem ranhuras?) do aeroporto de Congonhas, que fica ao lado de uma movimentada avenida e cercado de prédios . O assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, no 3º andar do Palácio do Planalto, ao lado do gabinete presidencial, foi pego em flagrante pelas câmeras de televisão fazendo um gesto obsceno: aquele clássico gesto do "se f….", batendo a mão direita sobre a mão esquerda fechada. Seu auxiliar Bruno Gaspar foi ainda mais além na obscenidade : fez a mímica do gesto de que alguém deu uma "trepada" em outro alguém, fazendo um arranco com as duas mãos. Ranhuras no decoro, ranhuras na ética existencial, ranhuras no consciente coletivo de um país entorpecido com tanta sordidez e mesquinharia de quem se julga no poder como um semideus no Olimpo. Mas o abuso da obscenidade e da pornô-política não pára por aí. Funcionários da INFRAERO, a estatal que administra os aeroportos, foram fotografados rindo diante da tragédia, sorrindo ao lado de corpos carbonizados que eram retirados do local do acidente. Debochando e rindo, como hienas que sorriem quando sofrem por ocasião do coito. Ou o Presidente da República manda demitir imediatamente todos esses servidores públicos fotógrafos e flagrados praticando ato que atenta contra a dignidade e o decoro do cargo – previsão legal no Estatuto dos Servidores Públicos Federais ou então passará ao país a imagem de governante inepto, tíbio, vacilante, sem princípio de autoridade. Vamos, Presidente Lula, o senhor foi eleito com esmagadora maioria. Bote logo essa turma pra correr, senão o senhor acaba se transformando naquela história da mosca na sopa da música do Raul. A açodada comemoração se justificaria para dizer que a culpa não é do governo e que poderia ter havido falha mecânica no avião, muito embora a maioria dos especialistas atribui que a causa do acidente foi devido à falta de condições da pista de Congonhas. O governo tem muito , sim, que explicar à sociedade. Desde muitos meses esta coluna vem cobrando energicamente a demissão do Ministro da Defesa, Waldir Pires, incompetente, omisso, vacilante. Isso pra não dizer da total inoperância da ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil , onde estão encastelados ex-militantes do PT que não entendem bulhas de aviação. O Ministério da Defesa em nenhum momento cuidou de restaurar o princípio da autoridade. Ou vocês não acham que todos os controladores aéreos que fizeram greve branca ou mesmo aqueles que autorizaram o pouso do Airbur da TAM no fatídico 17 de julho não teriam que ser presos em flagrante? Ceifaram centenas de vidas , destruíram carreiras, desmistificaram sonhos, deceparam projetos de realização pessoal. Nos tempos de Euclides da Cunha, ou o Brasil acabava com a saúva ou a saúva acabava com o Brasil. Um país que já teve o ciclo do ouro, ciclo do café, ciclo da borracha e ciclo do cacau, agora tem o ciclo do caos aéreo, onde ninguém está a salvo nos ares, porque os aviões não voam em nosso espaço aéreo como o vôo retilíneo da andorinha e sim como zigue-zague do morcego.