Vai a roda do Tempo, levando a lição que uns aprenderam e outros não. Vem a roda do Tempo, trazendo novas lições. Quem as aprenderá?
Coisa fascinante nessa rotatividade é o fato de que todos temos a aprender e há lições para todos, mas nem todos têm coragem de se envolver no processo de aprendizagem constante, necessário.
Por que Fulano se coloca diante da vida na posição de eterno aprendiz, enquanto Beltrano diz “Eu sou assim mesmo, é pegar ou largar”, ainda que não expresse isso na pobreza das palavras e sim na riqueza das atitudes, dos conceitos e preconceitos, na ilusão de que, tendo enganado a si mesmo estaria também enganando as outras pessoas?
Que triste e pobre pecado é subestimar a capacidade de percepção de seus interlocutores cotidianos ou eventuais.
Bobo é quem pensa que o outro é bobo.
Como é que um ser percebe, em suas próprias atitudes, quando é que está reproduzindo modelos doentios, herdados e/ou copiados, e então se dedica a trabalhar para derrubar aquelas velhas estruturas alheias e então reerguer-se como um ser mais verdadeiro, autônomo, corajoso e humano, enquanto outro ser não tem a mesma coragem, parecendo não compreender que fora do crescimento não existe razão para se estar no mundo?
Como uma pessoa pode querer ser amada, se não tem coragem de lutar para se tornar uma pessoa confiável, seja por seus próprios meios ou com auxílio de profissionais?
Quanta vaidade, quando orgulho e (sobretudo) quanto medo moram no coração daquele ser que não topa ser eterno aprendiz, que teima em querer ser bem-sucedido na vida utilizando-se só daquilo que a Natureza lhe deu, em vez de agradecer pelo potencial resolvido e então ir à luta para multiplicar seus talentos, como quem, tendo recebido de presente a chave, abre a porta e sai para chuva, assoviando de gratidão?
Vai a roda do Tempo, vem a roda do Tempo. E tudo tem seu tempo.
Que a mesma Natureza que nos oferece o Tempo nos conceda a coragem.
Jornalista, escritor, professor e compositor Tavares Dias nasceu em Tumiritinga (MG), no Vale do Rio Doce, em 13 de setembro de 1951. Passou pelos principais veículos de comunicação do Espírito Santo. Atuou também na extinta TV Manchete, no Rio de Janeiro. Em São Paulo , trabalhou na revista Istoé e nas editoras Globo e Best-Seller.
Publicou “Sinais de mim” (poesia, 1995), “Bairro São Pedro” (reportagem, 2001), “Boca de Beijo” (crônicas, 2000), “Uma janela no muro” (contos, 2005) e “No reino de Pedro Félix” (contos).