Mauro Bomfim

Choro e voto

Chorar dá voto? Já se viu de tudo em político. Candidato distribuir cesta básica, material de construção , tapinha nas costas e tudo mais, mas o choro como forma de captação do voto é inusitado. No vale-tudo das prévias para a corrida presencial à Casa Branca, a candidata democrata Hillary Clinton , chorou diante das […]

Chorar dá voto? Já se viu de tudo em político. Candidato distribuir cesta básica, material de construção , tapinha nas costas e tudo mais, mas o choro como forma de captação do voto é inusitado. No vale-tudo das prévias para a corrida presencial à Casa Branca, a candidata democrata Hillary Clinton , chorou diante das câmaras de televisão e diante da platéia em ato público que realizou em New Hampshire.

Quanto todos os prognósticos apontavam como vencedor  o negro Barak Obama, democrata que disputa a indicação com Hillary, prevaleceu em New Hampshire, pesou muito  a sensibilidade feminina que  derreteu-se ao choro mavioso da candidata e , com isso, Hillary sagrou-se a vencedora, ganhando alguns pontos  a mais em busca de consolidar sua indicação definitiva. “Encontrei a minha própria voz”, disse Hillary em discurso emocionado.

As lágrimas vertidas pela candidata , como se fossem “lágrimas recolhidas ao recesso das pálpebras”, na  bela descrição da poetisa Cecília  Meirelles.

Esta coluna já antecipava o que poderá acontecer na política mundial. Uma mulher comandando a potência mais poderosa do planeta. Algo que , a princípio, seria um acontecimento sem precedentes, desde que a mulher conseguiu o direito ao voto no início do século.

A mulher do ex-presidente Bill Clinton tem experiência acumulada de bastidores de Casa Branca como primeira-dama dos EUA, além de passagem pelo Senado. De certa forma,  é uma candidata das minorias, as mulheres, que poderão até mesmo se transformar em maioria no futuro da política.

A lei eleitoral brasileira, corrigindo o modelo machista anterior,  já prevê candidaturas de até 70% para determinado sexo, não necessariamente homens, podendo  as candidaturas femininas superarem as dos homens nas eleições proporcionais.

É realmente salutar  que as mulheres participem da política, oxigenando a vida partidária.  A cruzada de Hillary Clinton certamente será  um bálsamo de incentivo para as mulheres de todo o mundo a ingressarem no mundo hermético, às vezes putrefato da política.  Michele Bachelet já governa o Chile,  que apresente um excelente desempenho entre as nações de maior crescimento econômico na América Latina. Cristina Kirchmer governa a Argentina.

No Brasil, a principal curinga do Presidente Lula é a competente mineira Dilma Roussef, ministra da Casa Civil, que substituiu o larápio e corrupto Zé Dirceu. Dilma é competente é tem cacife até mesmo para ser candidata a presidente da República. Se realmente for verdade que Aécio Neves está preferindo disputar o Senado, quem sabe os fios invisíveis dos destinos irão mais uma vez tecer uma fina rede de malha para conduzir Minas Gerais ao Palácio do Planalto?  

Enquanto se fala horrores de integrantes do governo que se envolveram em maracutais e falcatruas de toda espécie, nada se pode falar mal de Dilma Roussef.  As línguas ferinas poderiam até dizer que ela passeou na lancha do lobista Zuleido Veras, aquele empreiteiro dono da Gautama envolvido em operações fraudulentas com o governo federal. Mas  Dilma tem a seu favor duas atenuantes no caso : (I) não sabia que a lancha era de Zuleido; (II) não foi avisada pelo governador baiano Jacques Wagner.

Por tudo isso, não será nenhuma supresa  se de repente brilhar uma estrela reluzente no céu da pátria: a estrela da Dilma Roussef, mulher , mineira,  uma das únicas integrantes do mastodôntico e inútil ministério do atual governo (38 ao todo, sendo que nem mesmo a equipe presidencial consegue saber os nomes de todos os ministros) que demonstra competência, capacidade de decisão e elevado espírito público.

Mauro Bomfim é advogado e jornalista