Sacripantas são indivíduos infames. Seres desprezíveis. Uma pessoa vil, reles. Em 2007, o ano que terminou, pululalam na política brasileira.
Marcos Valério desviou mais de 1 bilhão dos cofres públicos para alimentar o apetite pantagruélico de parlamentares mensaleiros. José Dirceu, Waldemar Costa Neto, José Janene, Paulo Rocha, João Paulo Cunha, Professor Luizinho, João Magno e muitos outros. Delúbio, Silvio Pereira, Marcelo Sereno, Ricardo Berzoini, a cúpula do PT que entre mimos e presentinhos milionários, como Land Rover, se chafurdaram na lama, criando o maior esquema de rapinagem de recursos para financiar um partido e seus seguidores. Os 3 mil de propina do Marinho dos Correios é fichinha perto do volume de dinheiro movimentado pelo valerioduto. Tudo para manter a base aliada no Congresso.
Saques dos mensaleiros coincidindo com a votação de projetos importantes do governo.
De Paris, o Presidente Lula afirma para uma repórter do Fantástico aquilo que inauguraria a marca do do conformismo e da licenciosidade: “No Brasil, sempre foi assim”. Tudo normal? Para o brasileiro comum do povo, o Bolsa Família e o Pro Uni atendem seus interesses imediatistas. Importam mais do que a moralidade, o combate à impunidade. E Lula foi blindado mais uma vez em 2007, por maior cinismo que possa parecer. Os 40 mensaleiros sentaram-se no banco dos réus do Supremo Tribunal Federal, onde um ministro negro, Joaquim Barbosa, por ironia do destino, indicado pelo governo Lula, enfia o bisturi para operar no processo os salteadores da bolsa pública.
Num dos atos processuais delegados a juízes de primeira instância, uma juíza, corajosa, de dedo em riste, chama às falas o ex-deputado memsaleiro petista Paulo Rocha: “Aqui não é a Câmara dos Deputados. Não admito palhaçada. Não venha atrapalhar minha audiência e responda às minhas perguntas”.
Um 2007 que terminou sem uma sentença condenatória contra os sacripantas da banda podre da política brasileira, embora o tempo seja curto para o ritual do processo penal. A sociedade ainda espera ver Duda Mendonça pagando pela lavagem de dinheiro na famosa operação Dusseldorf, na Alemanha. Espera ver o ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci – a palhoça derrubado pelo caseiro Francenildo – pagar pelos seus delitos na esbórnia da República de Ribeirão Preto devassada pelo seu ex-assessor Rogério Buratti.
Numa espécie de amnésia coletiva que o PT e o lulismo tentam impor à sociedade brasileira, cada vez mais conformista e licenciosa, Berzoini, o comprador de dossiê anti-tucano em nome dos aloprados , volta ao comando nacional do PT. Zé Dirceu continua tendo influência poderosa no governo. Severino Cavalcanti, do triste episódio da propina do Buani,ex-concessionário do restaurante da Câmara, manda no ministério das
Cidades. Costuma se assentar na cadeira do próprio ministro, seu apaniguado Márcio Fortes. Roriz renunciou para não serr cassado, deixando no seu lugar um suplente de vida pregressa recheada de processos. Triste figura do suplente de senador que se revelou em 2007 como crisálida saída do casulo da pornopolítica brasileira.
Na crise aérea, o deboche pornográfico do assessor do Planalto, Marco Aurélio Garcia. Tentativa de terceiro mandato para Lula. Inspirações do cocaleiro boliviano Evo Morales e do ditador chinfim Hugo Chavez, barrado com um sonoro “por que non se cala” do rei espanhol Juan Carlos e desafiado por um garoto nas ruas da venezuela que não aceitou dialogar com o ditador, derrotado no plebiscito que lhe daria super-poderes. Lula derrotado na votação da CPMF. Um golpe na arrogância e na empáfia do governo, que manchou a esquerda brasileira ao permitir que toda pilhagem de dinheiro público ou privado, toda promiscuidade com empreiteiras, como a Guatama de Zuleido Veras, seja um fato normal, tudo natural se o destino do dinheiro for um cofre de um partido político ou de seus filiados.
Renan Calheiros em 2007 é a figura emblemática da impunidade. Renunciou ao mandato de presidente do Senado, mas não foi cassado , permanecendo como senador. Uma ignomínia sem precedentes, tudo sob a proteção do PT e do lulismo, que acabaram traídos pelo próprio Renan na votação da CPMF. Em qualquer outro país sério todas essas figuras perniciosas seriam simples presidiários.
O ano de 2007 tristemente repetiu a entronização da impunidade. Jornalista e amante de senador vira musa da revistas Playboy. E ainda lança uma obra.
Nada estranha num país em que a ministra do Turismo , Marta Suplicy manda o brasileiro relaxar e gozar diante do insuportável apagão aéreo. Ainda bem que alguém teve a feliz idéia de jogar uma galinha preta nessa sexóloga que abandonou o bom e franciscano Senador Suplicy em troca de um gigolô internacional. Ainda bem que um aposentado, movido de uma santa ira de indignação, deu bengaladas na cabeça de José Dirceu. Seria bom que em 2008 o governo tomasse juízo e não financiasse Bruno Maranhão, o amiguindo de lula que comandou a destruição de dependências da Câmara dos Deputados . Terminou 2007 absolutamente impune. Seria bom que a UNE voltasse a se indignar, estimulando os cara-pintadas e não se transformasse em mera sucursal de subserviência do lulismo, em troca de algumas verbinhas. O afago ao banqueiro com grandes lucros nos seus balanços, aos sem terra, aos estudantes. A Bolsa Família e o Pro Uni. Essa a receita do “sucesso do lulismo” em 2007.
Que 2008 traga talvez o Bolsa Emprego, obrigando o brasileiro a trabalhar e ao final do mês receber o seu bolsa-emprego e uma cesta básica. Evitando que muitos fiquem bebendo cachaça à toa na porta dos botecos, “comendo” o dinheiro que seria da família. Que em 2008 nos livremos de grande parte desses sacripantas da política brasileira. Que o Supremo possa julgá-los e condená-los. Que o nosso hino nacional não seja trocado pelo hino da impunidade entoado com cinismo pelos bandidos do colarinho branco. Que a pilhagem, a roubalheira, a lavagem de dinheiro, a corrupção, a mentira e a fraude sejam substituídas pela ética, probidade, responsabilidade fiscal, decência e moralidade. Palavras que deveriam iluminar as manhãs de todos os dias de 2008 como as noites terminam com a certeza das alvoradas.
Advogado e Jornalista