Jane Emerick Dutra Honório

"Pega um, pega geral"

Métodos utilizados para combater a criminalidade, especificamente por parte da polícia [especial] do Rio, de fato remediam o crime de maneira periférica: o mal não é atacado pela raiz e é seguido de efeitos colaterais. Em Informática, um vírus é combatido no ato de inserir vacinas na área do programa, eliminando apenas o mal, digo, […]

Métodos utilizados para combater a criminalidade, especificamente por parte da polícia [especial] do Rio, de fato remediam o crime de maneira periférica: o mal não é atacado pela raiz e é seguido de efeitos colaterais.

Em Informática, um vírus é combatido no ato de inserir vacinas na área do programa, eliminando apenas o mal, digo, o efeito, a virulência. Não se deletam os arquivos infectados, pois esse procedimento lesa o sistema ou tende a apagar um arquivo útil; o fato de eliminar um ou mais itens não solucionaria o problema de corrupção causado, pois o efeito persistiria, se espalhando por toda a rede.

Dentro deste Sistema Integrado, o vírus que se espalha por toda a Rede pode, um dia, chegar ao nosso Sistema, nosso lar, doce lar, em detrimento do amor e do caráter incutido na mente dos filhos.

E a medida atualmente usada é deletar os infectados; a estes e a quem transite pela rua no momento do caos, arquivos temporários ou não. “Tratamento desumano ou degradante”, sem direito a recuperação, regeneração, reintegração social.

A Lei Superior, que garante os direitos mais elementares no Brasil, que garante que “não haverá penas (…) cruéis” (Constituição Federal de 05.10.1988, Art. 5º, Inciso XLVII, Alínea e), não prevê casos específicos; trágicos.

Outra lei penal, animalesca, que não existe no papel e não foi aprovada em caráter republicano, improvisa, executando o réu.

Veredicto proferido por Tribunais Ao Ar Livre, por Juízes Pra Lá de Leigos, na ausência do Contraditório: Flagrantes Holocaustos.

“Osso duro de roer.”

A mim, que não pertenço a esta realidade, a você, estudante ou pai de família ou aposentado – tomara que tudo continue bem: nós mantendo nossas conexões em reservado, no nosso cantinho confortável. Porque, no dia em que precisarmos (Deus nos livre e guarde) mudar para regiões dos grandes centros, e a loteria econômica e administrativa nos destinar a residir, procriar, interagir, viver em um bairro-de-lata, então nossa visão remota sobre delinqüência, tiroteios e tráfico de drogas vai ficar bem outra. E produções de sucesso regional como “Tropa de Elite” não terão mais graça.           

Referências: trechos da música “Tropa de Elite”, interpretada por Tihuana; fragmentos de textos da Constituição Federal de 1988.

Jane Emerick Dutra Honório – Colaboradora do Portal Caparaó 

Texto enviado via Você Repórter – Participe Você também portalcaparao@gmail.com

14/01/08 – 11:21