<em><strong>Mauro Bomfim</strong></em>

Espírito Corporativo

Espírito corporativo? Ou espírito de porco? O leitor conhece Altemir  Grecolin? Guilherme Cassel? Assim como Matilde Ribeiro ( Igualdade Racial) , os dois são ministros, cujos nomes são desconhecidos como a maioria dos 38 ministros do atual governo. Grecolin da Pesca e Cassel do Desenvolvimento Agrário.Em comum têm o gosto pela farra do cartão corporativo, […]

Espírito corporativo? Ou espírito de porco? O leitor conhece Altemir  Grecolin? Guilherme Cassel? Assim como Matilde Ribeiro ( Igualdade Racial) , os dois são ministros, cujos nomes são desconhecidos como a maioria dos 38 ministros do atual governo.

Grecolin da Pesca e Cassel do Desenvolvimento Agrário.Em comum têm o gosto pela farra do cartão corporativo, o cartão de crédito oficial do governo emitido pelo Banco do Brasil/Ourocard e que virou o grande “trelelê” nacional,para usar uma expressão do depravado Tim Maia, cuja biografia “Vale Tudo”, escrita pelo jornalista Nelson Motta está entre os livros mais vendidos.

Gastos em restaurantes de luxo, compras em free shops,almoços em churrascarias e até mesmo compra de tapioca ou de mesa de sinuca. Até parece que tem Rui Chapéu no governo Lula.E o povo na sinuca de bico, vendo o seu dinheiro escorrer pela lambança do cartão corporativo, invenção que só poderia existir no Brasil, país inusitado, onde até as ONGs –Organizações Não Governamentais são mantidas pelo governo, renegando a própria sigla, lembrava há poucos dias o inteligente ex-ministro e ex-deputado Delfim Netto.

A farra do cartão corporativo tem rendido espaço na mídia. Já se fala numa CPI mista no Congresso. Os gastos pessoais do presidente da República e da secretaria pessoal da Presidência, que até então eram divulgados no Portal Transparência Brasil (site mantido pelo próprio governo / Controladoria Geral da União – www. planalto.gov.br) de repente são deletados das consultas na Internet. Uma transparência que não aparece mais,de tão transparente.

O ministro dos Esportes, Orlando Silva usou o cartão para pagar diárias em hotel de luxo no Rio de Janeiro até para a própria mulher e a babá. Em qualquer país com um mínimo de compromisso com a ética, o ministro deveria ser convidado a sair – compulsoriamente – do governo. Nesse ponto, justiça seja feita ao polêmico ex-presidente Itamar Franco, político mineiro de Juiz de Fora. A qualquer sinal de fumaça em seu governo , dava a ordem: cortem a cabeça.

A frase preferida da Rainha de Copas em Alice no País das Maravilhas ficaria bem , por exemplo, na boca da dama de ferro do governo, Dilma Roussef, que, a princípio , endureceu o jogo contra a farra dos cartões corporativos. Mas, agora, diante das pressões dos que adoram se lambuzar com o mel do poder, parece que está cedendo, não agüentando enfrentar a turma da boquinha.

Com sua língua ferina, o senador oposicionista Heráclito Fortes (DEM-PI) disparou: “Esses cartões corporativos são uma espécie de bolsa família de funcionários graduados do Palácio do Planalto”.  Já temos os sem-terra e os sem-teto, e não demora a esmagadora maioria do povo brasileiro cria o movimento dos  sem-cartão. 

Advogado e jornalista – 10/02/08 – 11:28