Imagine-se na seguinte situação:
Você cursou faculdade de Direito, estudou muito pelos 5 longos anos de formação e, depois, ainda mais 1 ano de curso preparatório para prova da Ordem. Durante todo o ano de preparação, leu, releu, grifou os textos e leis. Assim, tem domínio de todo o conteúdo, porém, no dia da prova, não consegue controlar seu pensamento. Mal chega a terminar de ler uma questão e já pensa na próxima, ou imagina-se reprovado ou, ao contrário, uma euforia toma conta de você ao presumir-se aprovado. Você estudou e treinou muito, mas, durante seus simulados, a maioria dos professores disseram que as questões iriam seguir um determinado padrão, entretanto, ao abrir o caderno de questões, deparou-se com algo completamente diferente daquilo que os professores haviam lhe indicado. Apesar de o conteúdo ser o mesmo, a forma como estava sendo cobrado não o era e isso lhe trouxe enorme desconforto…
Quem nunca, não é mesmo????
Esta cena poderia ser aplicada a qualquer cenário: entrevista de emprego, tarefa doméstica, trabalho… O interessante é que ela retrata muito bem o assunto que estou lhes trazendo, as chamadas funções executivas.
Em resumo, funções executivas se referem a um conjunto de habilidades e capacidades integradas que direcionam nosso comportamento. Elas são recrutadas sempre que é necessário realizar alguma tarefa que envolva certo grau de engajamento. Tais funções nos permitem executar as ações necessárias para alcançarmos nossos objetivos. Dessa forma, é resultante da integração de 3 principais habilidades: memória operacional, flexibilidade e inibição.
Retomemos ao exemplo inicial:
A capacidade para ler, compreender e fixar os conteúdos dos textos estudados deu-se inicialmente pela memória operacional, que é a habilidade que temos de sustentar uma informação, por tempo limitado, para solução de algum problema.
A “falta de controle” sobre o pensamento indiscutivelmente irá comprometer o desempenho do candidato no certame. A esta habilidade de “controlar pensamentos” e/ou “comportamentos” chamamos de inibição ou controle inibitório. O controle inibitório envolve a capacidade de dominar a atenção, o comportamento, os pensamentos para inibir uma resposta de modo a fazer o que é mais apropriado ou necessário.
Já o fato de ele ter que se adaptar ao novo formato das questões exigiu flexibilidade cognitiva, que se refere à capacidade de pensar de forma “flexível” frente às demandas, ou seja, envolve a capacidade de se adaptar e reavaliar as situações, “mudar o foco”…
O desenvolvimento adequado das funções executivas se relaciona aparentemente com o sucesso em diversas áreas da vida, pois são elas que nos permitem exercer controle e regular nosso comportamento frente às exigências do dia-a-dia, possibilitando nosso engajamento em comportamentos adaptativos, auto-organizados e direcionados a metas (SEABRA, pg. 39).
Em crianças, a área responsável por tais habilidades encontra-se em pleno desenvolvimento e só estará totalmente desenvolvida na idade adulta.
Mas quer saber algo interessante? TODAS ESTAS HABILIDADES podem ser TREINÁVEIS!!!!!
Existem treinos que permitem direcionarmos e sustentarmos a atenção de forma consciente, que nos motivam a buscar soluções inovadoras e criativas frente a desafios antigos e, principalmente, que permitem aumentar nossa capacidade de armazenamento temporário de informações (memória operacional). Ou seja, treinamento de funções executivas possibilitam ganhos cognitivos e sócioemocionais nas diversas fases da vida.
Treine seu cérebro!
Até a próxima pessoal!