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Com palestras de Bárbara Carine e Gustavo Forde, Sesc-ES lança Núcleo de Formação Social dedicado à formação continuada de projetos sociais

Com trilha formativa alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, a iniciativa visa capacitar trabalhadores, fortalecer redes comunitárias e promover a transformação social no Espírito Santo

VITÓRIA (ES) – Formação que inspira, conexões que fortalecem e ações que transformam. Esses são os pilares do Núcleo Sesc de Formação Social, novo projeto do Programa Assistência Social do Sesc Espírito Santo. O lançamento do Núcleo reuniu referências nacionais na área de educação e relações étnico-raciais, como Bárbara Carine e Gustavo Forde, no Centro Cultural Sesc Glória.

O projeto tem como propósito conectar saberes tradicionais e conhecimentos técnicos por meio de ações formativas interdisciplinares. Ao longo do ano, serão abordadas temáticas como igualdade de gênero, emprego digno e crescimento econômico, redução das desigualdades, igualdade étnico-racial, paz, justiça e instituições sociais eficazes, todas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Presente no Espírito Santo há 80 anos, o Sesc-ES reafirma seu compromisso com a transformação social ao dar mais um passo estratégico na garantia de direitos, com o lançamento do Núcleo de Formação.

O diretor Regional do Sesc-ES e diretor de Gestão do Sistema Fecomércio-ES, Richardson Schmittel, destacou a ampliação das iniciativas sociais da instituição no Espírito Santo e o caráter inovador do Núcleo Sesc de Formação Social.

Esse lançamento é resultado de uma intencionalidade muito forte. A valorização social, a formação, não é algo novo para o Sesc — fazemos isso há 80 anos — mas, além do Sesc Mesa Brasil, com toda a sua potência, já lançamos, no Espírito Santo, outros quatro projetos sociais: o Sesc 60+, a Caravana Sesc e o Sesc Para Todos. Agora, estamos lançando o Núcleo Sesc de Formação Social. Essa intencionalidade representa uma inovação do Sesc Espírito Santo”, frisou Richardson.

A capacidade de transformação da instituição também foi lembrada pelo diretor de Programas Sociais do Sesc-ES, Romulo Gomes.

O Núcleo Sesc de Formação Social é um avanço no compromisso do programa de assistência com o diálogo, o desenvolvimento comunitário e a valorização social de quem já é atendido, por exemplo, pelo Sesc Mesa Brasil em 39 municípios do estado. Ou seja, é o compromisso de levar educação e ações formativas a quem já participa da maior rede de solidariedade e segurança alimentar do Espírito Santo, além de estar aberto a todos os públicos que acreditam que a formação colabora para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e cidadã”, pontuou Romulo.

A iniciativa também busca fortalecer a atuação dos profissionais que integram a rede de assistência social, ampliando o acesso à formação e a conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento das ações realizadas junto às comunidades.

O Núcleo Sesc de Formação Social nasce a partir de uma demanda real. O público que atua em projetos e programas sociais precisava de suporte para acessar direitos e conhecimento. Nós estruturamos uma trilha formativa para todo o ano de 2026 desenhada especificamente para educadores sociais, técnicos e profissionais de organizações parceiras”, ressaltou a gerente de Assistência Social do Sesc-ES, Cintya Schulz.

A articulação em rede e o trabalho intersetorial também foram apontados como indispensáveis para alcançar resultados duradouros.

Entendemos que o Programa Assistência Social, por si só, é incompleto para trazer todas as respostas. Mas, se unirmos essa rede, conseguimos gerar o tão desejado impacto social”, pontuou a coordenadora de Assistência Social do Sesc-ES, Clarice Campos.

O papel dos projetos sociais na formação cidadã

Professora e escritora Dra. Bárbara Carine

Com auditório lotado no Centro Cultural Sesc Glória, o evento de lançamento reuniu a professora e escritora Dra. Bárbara Carine e o professor Dr. Gustavo Forde para debater o papel social das instituições, as dinâmicas dos territórios e a construção da cidadania.

Idealizadora da Escola Maria Felipa — a primeira escola afro-brasileira do país — e vencedora do Prêmio Jabuti 2024 na categoria Educação com o livro “Como ser um educador antirracista”, a Profa. Dra. Bárbara Carine compartilhou sua experiência no ensino voltado à valorização da diversidade, ao respeito às diferenças e à conexão entre aprendizagem, cultura e transformação social.

A palestrante defendeu a inclusão de referências afro-brasileiras e indígenas no cotidiano pedagógico, a valorização de diferentes matrizes culturais, a formação continuada de educadores e a realização de projetos que articulem educação, arte, ciência e tecnologia aplicadas aos territórios.

A formação dos educadores é uma responsabilidade institucional. E quando eu digo educadores, eu não estou falando aqui especificamente de professores. Todo mundo que está em um espaço formativo educa. E esses educadores também precisam passar por um processo de desenvolvimento crítico, afetivo, desenvolvimento social, no sentido das relações com os sujeitos. A gente precisa, de fato, transversalizar os processos formativos”, frisou Bárbara.

Território e práticas sociais

Professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Dr. Gustavo Forde

A dimensão territorial foi o fio condutor das reflexões. O professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Dr. Gustavo Forde, trouxe a perspectiva conceitual do território e a relevância da atuação em espaços não formais de ensino. Segundo o pesquisador, socialização e humanização são processos indissociáveis que ocorrem entrelaçados nos territórios por meio da educação e de projetos sociais estruturados com intencionalidade pedagógica.

O território é esse lugar onde nós nos constituímos, onde nós somos. O território é a nossa casa, onde existimos e nos reconhecemos. Existem territórios em que vivemos e territórios a partir dos quais existimos. Portanto, pensar o território é, sobretudo, entender que ele é um elemento fundamental na construção da cidadania. É nele que encontramos, de maneira indissociável, práticas sociais, econômicas e ideológicas. É no território que a vida acontece”, explicou.

A partir dessa perspectiva, o professor ministrou a oficina “A educação social antirracista em espaços não formais”, oferecendo ferramentas conceituais e metodológicas para a aplicação prática no cotidiano das equipes e projetos sociais

A programação marcou o início de uma agenda permanente de formação e diálogo, com atividades voltadas à troca de conhecimentos, à articulação entre profissionais e organizações e ao aprimoramento das práticas desenvolvidas nos projetos e serviços sociais.