Blaise Comparoé é um ditador sangrento. Camparoé comanda Burkina Fasso desde 1987, um país africano. Deu um golpe de estado e matou o anterior presidente, Thomas Sankara.
Camparoé foi o interlocutor de Lula na sétima viagem presidencial à África. O périplo presidencial lulista ao continente africano registra viagens a Benin, onde Lula foi recebido até por praticantes de vodu, na rota por onde seguiam os escravos nos séculos XVIII e XIX antes de embarcar para as Américas. E ainda viagem a São Tomé e Príncipe, onde o Brasil criou um fundo para financiar o desenvolvimento de Guiné-Bissau . Pobre país, o Brasil, financiando país estrangeiro enquanto não olha para o umbigo de sua própria miséria e desigualdade social.
A maratona de viagens à África incluiu ainda visitas a Argélia e Botsuana. Arrematou agora com viagens ao Congo, África do Sul e Angola. Mas na capital de Burkina Faso , Uagadugu, o Presidente Lula pôde desfilar em carro aberto ao lado do ditador Comparoé.
Sem trocadilho e sem comparação, Comparoé pode ser o espelho de Lula, que, embora negue de pés juntos, tem estimulado especulações sobre um terceiro mandato. Tudo teria a ver com o placar da prorrogação da CPMF no Congresso. Se houver maioria folgada, Lula pode liberar os aliados para tentar uma emenda constitucional em busca do terceiro mandato. Essa idéia fermentou no meio do lulismo depois que o presidente chegou da viagem africada a Burkina Faso.
A tradição da jurisprudência da Justiça Eleitoral brasileira é a vedação absoluta do terceiro mandato. Não é bom para a democracia, Depõe contra a oxigenação na política. Degola o princípio da alternância do poder, salutar para a regular convivência dos Poderes constituídos nas democracias modernas.
Lula desconversa na imprensa. Diz que ao final do segundo mandato, só pensar em “coelhinho assado”, prato que parece ser do agrado do presidente, embora ecologicamente incorreto. Só não pode colocar nesse forno uma assadeira que vai exalar um cheiro forte no ar de golpismo.
Toda forma de oligarquia no poder tem que ser combatida. Afinal, ainda que no terceiro mandato Lula dispute nas urnas, o fará com notório desequilíbrio em relação aos demais candidatos. Sentado na cadeira de presidente imperial, tem em seu poder uma caneta e um Diário Oficial da União para nomear e exonerar.
Além de Comparoé, Lula é interlocutor freqüente de Hugo Chavez, o ditador venezuelano que mandar prender e manda soltar , que fecha televisão , amordaça a imprensa, na base do prendo e arrebento. Essa tentação do terceiro mandato é preocupante. Contra ela devem se opor todos que cultivam democracia, que não pode ser aquela plantinha tenra de que falava Otávio Mangabeira, mas sim uma árvore frondosa e gigante, forte como um jequitibá da floresta.
Terceiro mandato só passa com emenda constitucional. É preciso maioria qualificada no Congresso. Tomara que a travessia democrática iniciada pelo saudoso Dr. Tancredo e que já possibilitou o encerramento de cinco mandatos presidenciais ( um de Collor/Itamar, dois de FHC e dois de Lula) não encontre pelo caminho essa pedra lascada que bloqueia o caminho da transição.
Advogado e Jornalista – 10:05 – 07/11/07
Mauro Bomfim escreve às Quartas no Portal Caparaó