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Doze dias depois, presos fazem quebradeira em nova rebelião em Manhuaçu

Doze dias depois de terem se rebelado, os presos da cadeia de Manhuaçu promoveram um novo motim na noite deste domingo. Eles quebraram grades e fizeram detentos enquadrados por crimes contra a mulher como reféns. Depois de três horas de negociações, eles cederam e a terceira rebelião deste ano foi encerrada, agora durante a madrugada. […]

Doze dias depois de terem se rebelado, os presos da cadeia de Manhuaçu promoveram um novo motim na noite deste domingo. Eles quebraram grades e fizeram detentos enquadrados por crimes contra a mulher como reféns. Depois de três horas de negociações, eles cederam e a terceira rebelião deste ano foi encerrada, agora durante a madrugada.

A confusão na cadeia começou por volta de 21 horas de domingo, mas já vinha deste a sexta-feira com outras tentativas de fuga. Apesar do motivo não ter ficado esclarecido, a polícia trabalha com a hipótese de que as rebeliões são resultados de uns dois ou três que tentam escapar e não estão conseguindo.

Os presos se rebelaram e, durante a negociação, exigiram as mesmas coisas da última confusão. “Não é uma situação muito fácil, ainda mais quando utilizam outros presos como reféns. Procuramos sempre negociar para evitar alguma atitude mais drástica. A polícia também tem um certo limite e, graças a Deus, eles acabaram cedendo sem maiores danos”, afirmou o inspetor Linhares, que participou da negociação.

Entre os pedidos, os presos incluíram a visita íntima, direito a dois dias de banho de sol por semana e dois dias de visitas. “Isso tudo é negociado, mas temos alguns limites. Tentamos até atender, mas com pouco efetivo é complicado. As visitas íntimas, por exemplo, em cadeia pública não são comuns mesmo”, explicou o delegado Getúlio Lacerda.

Com vários danos, como cadeados arrebentados, grades serradas e portas emperradas, as Polícias Civil e a Militar retiraram os detentos para o pátio ainda durante a noite e começaram a avaliar os estragos. É possível que parte do espaço seja interditado até que uma reforma possa garantir a segurança.

Durante a busca foram apreendidos vários chuços (pedaços de ferro afiados), cadeados danificados e uma barra de ferro serrada.

MOBILIZAÇÃO

Um grande efetivo de policiais militares e civis e até o Corpo de Bombeiros foram acionados na hora da rebelião. Além do grupo de choque e dos cães do canil do 11º BPM, o reforço de policiais auxiliou nas negociações. “A presença dos policiais em grande número repercutiu entre os detentos. Não queríamos que acontecessem as rebeliões, mas sempre que houver a nossa equipe estará sempre pronta”, afirmou o Tenente Geovani, que também auxiliou nas negociações com os detentos.

Durante toda a rebelião, carros das três corporações ficaram no trecho em frente a delegacia. A avenida Melo Viana chegou a ser interditada.

A cadeia continua superlotada. 96 presos estão recolhidos em regime fechado, sendo que a capacidade é de 54 detentos. “Eles aproveitam que a cadeia está cheia e acabam envolvendo outros presos, inclusive aqueles que nem querem participar, mas sabem que podem ser ´penalizados´ lá dentro e acabam aderindo”, conta o delegado regional Lourival Silva Pereira.

Após a rendição dos presos, policiais fizeram buscas nas celas e iniciaram a retirada dos objetos danificados. Quatro presos ficaram feridos e foram levados ao Pronto Atendimento.

QUARTA VEZ EM ABRIL

Considerando que no sábado e no dia 8 houve uma tentativa de fuga, somada a rebelião do dia 9, essa foi a quarta confusão na cadeia de Manhuaçu.

A pior foi no início do mês. Os presos da cela 10 tinham uma rixa com os detentos da cela 11. Eles conseguiram chegar ao corredor e arrebentaram o cadeado da cela vizinha. A briga generalizada terminou com cinco feridos e um morto.

Carlos Henrique Cruz – 08:01 – 23/04/07