DEFICIT HÍDRICO NO PERÍODO DE JAN-FEV DE 2010 CAUSA PERDAS DE PRODUÇÃO EM DIVERSAS REGIÕES CAFEEIRAS
J.B. Matiello e L.B. Japiassu, Engos Agros Mapa-Fundação Procafé, G. Nogueira Rosa Eng° Agr° CEPEC-Heringer e C. Krholing Eng° Agro Consultor
São Pedro não está colaborando, neste ano, com a lavoura cafeeira. Uma hora é chuva demais, causando estragos por excesso, outra é de menos, prejudicando pela falta. Parece até que ele tomou um cafezinho amargo, já que o preço do açúcar está pela hora da morte.
Brincadeira a parte, uma análise do que ocorreu, recentemente, com o regime de chuvas mostra que diversas regiões tiveram excesso, como o Sul de Minas, levando a florações menos abundantes e desuniformes. Também ocorreram tempestades danosas, chuvas de granizo em áreas extensas e até uma espécie de avalanche, que carregou cafezais morro abaixo, coisa que nunca havíamos visto aqui no Brasil.
A falta de chuvas ocorreu por um longo período, justamente na fase critica, na granação dos frutos, causando perdas em parte da região de café arábica no Espírito Santo, na Zona da Mata de Minas e na Bahia, e, ainda, em toda a região de Conillon no Norte do E. Santo. O período sem chuva variou de 55 – 80 dias, de inicio de janeiro a meados de março.
Os cafeeiros afetados se mostraram com murcha permanente, com escaldadura e queda de folhas, com maturação forçada, chochamento e má granação de frutos, e, em decorrência da estiagem, um ataque forte de bicho-mineiro e de cercosporiose. É difícil estimar as perdas, pois elas vão aparecer mais adiante, especialmente no rendimento do café. As opiniões variam, desde perdas mais leves, ao redor de 10%, até 50% em algumas lavouras.
Um tipo de perda que muitas vezes o produtor não se dá conta é aquela devida ao chochamento e à má granação dos frutos. Neste ano as perdas foram maiores nos frutos das primeiras floradas, pois eles já se encontravam na fase de enchimento dos grãos. Com a falta de água observou-se chochamento completo, com falta total e escurecimento do endosperma da semente e outros ficaram com pouca massa, mal granados, que irão dar origem a grãos leves, muitos grãos indo para junto da escolha por ocasião do beneficiamento.
O chochamento, como se conhece, ficou mais critico em plantas mais jovens, nos ponteiros das plantas e nos nós das pontas dos ramos produtivos, principalmente daqueles que perderam todas as folhas. Nos cafeeiros conillon, onde os ramos pendem para as ruas houve queima de frutos pelo sol.
Informativo do Clube de Tecnologia Cafeeira da Fundação Pró-Café em Varginha do Ministério da Agricultura.