Para aproveitar o bom preço internacional (com a saca vendida em torno de US$ 300), o baixo estoque mundial (em torno de 35 milhões de sacas para um consumo de 135 milhões de sacas em 2011) e o acesso a novos nichos de mercado de cafés especiais, o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) terá o maior orçamento da sua história, de cerca de R$ 2,7 bilhões, sendo R$ 2,25 bilhões para estocagem do produto.
A boa notícia foi dada, ontem, pelo presidente executivo do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, durante a abertura do 13º Simpósio Nacional do Agronegócio Café (13º Agrocafé), que encerrou no dia 13 de março, em Salvador (BA).
Brasileiro explicou que a preocupação do CNC é fazer com que, depois de uma década de preços que não pagavam o custo de produção do café, se garanta renda para os produtores. “O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, tem dado todo o apoio ao segmento e na próxima semana teremos uma reunião com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em busca de mais recursos ”, afirmou.
Ele fez questão de ressaltar que os “dois anos de euforia” não compensam as perdas do segmento. “Por isso, não podemos ter uma expansão da lavoura sem planejamento. Isso é o mais importante: cuidar das lavouras que nós já temos”, assinalou ao se dirigir aos cafeicultores.
O Presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Lopes Araújo destacou que, apesar do Estado ocupar o quarto lugar na produção nacional e vir se destacando na produção de cafés especiais, são muitos os problemas enfrentados pelos 23 mil cafeicultores do Estado.
A burocracia da legislação fundiária e ambiental; a seca na Chapada Diamantina (região produtora de cafés especiais); a valorização do Real, que dificulta as exportações; o custo da mão de obra e a luta por certificação dos cafés especiais e por denominação de origem (caminhos considerados sem volta) foram algumas das dificuldades elencadas por ele, “Por isso, ao final do 13º Agrocafé vamos elaborar uma proposta para a agricultura cafeeira nos próximos dez anos”, antecipou.
Ainda na oportunidade foram assinados um convênio de cooperação técnica entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a Assocafé e a Secretaria Estadual da Agricultura (Seagri) no valor de R$ 6 milhões e outro, firmado entre esses mesmos entes e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB), para a construção de uma Estação Experimental de Café Conilon no município de Itabela, no Extremo Sul do Estado, região considerada a nova fronteira agrícola do café na Bahia.
“Para contribuir na estruturação da cadeia, vamos ter uma linha de custeio de fertilizantes e calcário para três mil pequenos cafeicultores tendo como contrapartida a poda da lavoura. No pós-colheita, vamos oferecer também máquinas para despolpamento do café, secadores e terreiros suspensos, o que permite dobrar o preço da saca e, por fim, vamos estimular a organização de cooperativas para torrefação do café e recebimento do selo da agricultura familiar, o que permite a venda de parte da produção para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA/Conab) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE/MEC)”, explicou o secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles.
Café tem mais um dia de perdas em NY com base nos fundamentos
O café tem mais um pregão de perdas na Bolsa de Nova York (NYBOT). Ao longo da sessão da segunda-feira, dia 12/03, o contrato maio desceu para a casa dos 180 centavos de dólar por libra-peso, uma queda de mais de 2% em relação ao fechamento da última semana. Desde o início de 2012, o mercado segue uma tendência baixista.
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Gil Carlos Barabach, as baixas são reflexo de uma série de fatores do lado fundamental, como a expectaiva de oferta abundante em 2012, principlamente em grandes pólos produtores do grão de qualidade, como o Brasil e Vietnã, por exemplo. O fim do inverno no hemisfério norte, a demanda um pouco mais retraída e a proximidade da colheita da safra brasileira também contribuem para firmar a tendência baixista. Além dos fundamentos, o fator técnico também reflete negativamente nos negócios. Os fundos de investimentos intensificam o movimento de venda no curto prazo, o que pode continuar pressioando as cotações.
Porém, as quedas ocorrerão de maneira mais lenta, na visão de Barabach.
Mercado Interno
Cafeicultores brasileiros também amargam prejuízos diante da queda das cotações no mercado interno. Atualmente, a saca de 60 kg é negociada abaixo dos R$ 400 na maior parte das regiões produtoras.
Para Barabach, os preços tendem a firmar-se em patamares mais estáveis a partir de agora. A recomendação é que o produtor aproveite as puxadas do mercado para a concretização de negócios e, assim, garantir boa margem de lucro. As tendência firme do dólar também pode estender os ganhos dos produtores.