Júlio César , o sangue derramando nas escadarias do Senado Romano, depois de cercado por conjurados, diz a frase antológica: “Até tu Brutus?”, se referindo ao seu próprio filho adotivo, entre aqueles que o assassinaram.
As palavras daquele que se tornou a mais conhecida figura da História Romana, general romano, conquistador, tribuno e historiador, quase monarca na sua desesperadora tentativa de ser considerado divino, lembram o inferno astral que atualmente vive o Senador Demóstenes Torres, envolvendo em maracutaias com Carlinhos Cachoeira, o conhecido Charles Falls, famoso contraventor da região de Goiás..
Até tu, Demóstenes? É a frase que não quer calar perante a opinião pública. Outrora posando de vestal do templo, combatente intimorato da corrupção, paladino da ética e da moralidade, Demóstenes agoniza no Senado brasiliense, não com o porte de estadista de Júlio César, é óbvio, mas exibindo as patas viscosas de um novel batráquio que também chafurda no poço escuro da corrupção do Planalto.
Acossado pela imprensa, acuado pelo seu próprio partido o Democratas-DEM, que não lhe promete bóia de salvação e prepara sua expulsão, demonizado pelos colegas do Senado que preparam a guilhotina para cortar sua cabeça, Demóstenes Torres vê ruir aos seus pés a imagem então esculpida de o defensor da moralidade.
O destino que lhe reserva é de todo parecido com o personagem histórico que lhe empresta o nome, o grego Demóstenes, que viveu no período de 384 a 322 antes de Cristo. Proeminente orador e político de Atenas, garoto ainda, o grego Demóstenes assistiu a um julgamento no qual um orador chamado Calístrato teve um desempenho brilhante e, com sua verve, mudou um veredito que parecia selado, ou seja, de esperada condenação do réu acabou por absolvê-lo. Demóstenes invejou a glória de Calístrato ao ver a multidão carregá-lo nos braços pela proeza e mais do que nunca, impressionado com o poder da palavra.
Padecendo de incurável gagueira, pareceria impossível o sonho do menino grego Demóstenes em se tornar grande orador. Conta-se que declamava poemas enquanto corria na praia contra o vento usando pedrinhas na boca. Tudo para curar a gagueira. Tornando-se o maior orador da Grécia, combateu os corruptos e lutou contra as forças da Macedônia de Felipe e Alexandre.
Nesse diapasão, nosso Demóstenes de Brasília usava sempre a tribuna do Senado para censurar colegas parlamentares e combater os poderosos e corruptos do dia. Se o seu antepassado grego acabou condenado e preso em 335 a.C. por ter se vendido a tantos dinheiros a um ministro de Alexandre, o Grande, igualmente o Demóstenes tupiniquim vê sua reputação ruir como castelo de areia. O grego refugiou-se na ilha de Poseidon e cercado pelas tropas de Antípatro que tentavam matá-lo, acabou se suicidando tomando veneno.
Se não é hábito do político brasileiro tomar veneno quando flagrado com a boca na botija da corrupção, e como estamos em plena Semana Santa, seria salutar que alguém imitasse o gesto de Jesus Cristo, o Divino Rabi da Galiléia que além de orador que usava a paz do sorriso para atrair multidões, costumava às vezes empunhar o chicote para expulsar os vendilhões do templo.
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Até tu, Demóstenes?
Júlio César , o sangue derramando nas escadarias do Senado Romano, depois de cercado por conjurados, diz a frase antológica: “Até tu Brutus?”, se referindo ao seu próprio filho adotivo, entre aqueles que o assassinaram. As palavras daquele que se tornou a mais conhecida figura da História Romana, general romano, conquistador, tribuno e historiador, quase […]