a moralidade, garroteando a impessoalidade, pisoteando e esgarçando os princípios constitucionais, o presidente do Senado, Renan Calheiros voou novamente pela FAB nos céus do Brasil.
Um vôo de zigue zague de morcego. Voou pela penumbra e não em céu de brigadeiro.
Renan desprezou em pleno mês do Natal o catecismo do Papa Francisco, que apelou ao mundo contra o desperdício. Renan Calheiros desperdiçou nosso santificado dinheiro público para votar em jato da FAB numa missão nada republicada: foi a Recife fazer implante de cabelo.
Com desfaçatez e cara de tacho, disse que vai devolver aos cofres públicos os valores equivalentes ao gasto do vôo da FAB. Quanto cinismo, quanto escárnio com o povo brasileiro, O presidente do Senado, no mínimo, cometeu ato de improbidade administrativa, cujos vestígios não se apagam com a devolução.
Se fosse prefeito, seria punido com o peculato de uso, previsto no artigo 1º, II, DL 201/67, cuja pena máxima é 12 anos de cadeia. Renan usou bem público em proveito próprio. Ato formal, de mera conduta.
E agora Dr. Janot, Procurador Geral da República? Será que esse caso também vai terminar numa grande pizza?
Da outra vez, quando foi a um casamento no mar paradisíaco de Trancoso usando um jato da FAB , a mesma cara de pau lustrada com óleo de peroba, A mesma pureza angelical, o mesmo gesto voluntarioso de devolver 32 mil que foi gasto na época.
Desta fez, o presidente do Senado ainda teve o desplante e o acinte de perguntar por escrito ao brigadeiro Juniti Saito, se cometeu alguma irregularidade ao utilizar um jatinho da Força Aérea para ir a Recife fazer um implante capilar.
O decreto presidencial 4.244, de 2002, é claro ao dispor que autoridades só podem utilizar as aeronaves da FAB em três circunstâncias: por motivo de segurança e emergência médica, em viagens de serviço ou no deslocamento para seu local de residência fixa. Renan, lembre-se, mora em Maceió, não em Recife.
Renan é senador. Renan preside o Senado. Renan confunde o público com o privado.
Já passou da hora de o eleitor brasileiro dar uma descarga moral nessas privadas e nesses homens que tratam o Brasil como uma grande latrina.