É muitíssimo difícil entender o ser humano, defini-lo é sempre arriscado, enquadrá-lo em teorias, é sempre incompleto, mesmo não sendo possível definir, entender, é sempre oportuno escrever, falar e conversar sobre nossos comportamentos. Já ouvi várias perguntas e questionamentos, várias definições e teorias, mas sempre ficamos surpresos quando o ser humano concreto que se relaciona conosco está em questão.
Diante de fatos próximos a nós, algumas teorias caem por terra, alguns conhecimentos não são suficientes e sempre vêm novos questionamentos e assim a história da humanidade avança e nós vamos ajudando a construí-la.
Em muitas ocasiões me vi pensar, rezar, a procurar entender mesmo certos comportamentos e confrontar a dimensão da fé e a não fé.
O que diferencia um ser que acredita do que não acredita mais ou menos ou mesmo não acredita? Até onde posso chegar com a fé em Deus? Qual é o limite da fé verdadeira e a alienação? Como fazer para não deixar que a minha fé infantil me infantilize a vida toda e cresça e viva numa total discrepância: adulto na vida e infantil na fé. Creio que tudo isto possa consumir toda nossa vida e ainda no fim não atingimos nossa meta.
Para mim, o princípio de tudo é Deus; o fim último também é Deus; creio no ato criacional de Deus, sem descer nos pormenores e detalhes; como também creio que o fim último é Deus e que a ressurreição de Jesus Cristo e também a nossa será a consumação das nossas vidas. Mas, entre o nosso nascer e o morrer existe a nossa história; é sobre esta história que me vejo a pensar e a escrever, procurando entender o que é preciso viver para chegar ao seu ápice.
Na vida precisamos ter atitudes, comportamentos, quis chamar tudo isto de esforço. Quais esforços preciso ter, fazer, viver para evoluir nas minhas condutas? Será sempre necessário me esforçar para conseguir algo? Não estou me referindo apenas às questões materiais, mas sim ao conjunto de situações que me permitirão viver melhor e o mais possível com a consciência em paz.
É preciso um grande esforço para superar as perdas de entes queridos e de pessoas da família. Quão grande esforço tenho que fazer para superar a dor da derrota, do fracasso aparente, do julgamento alheio, da incompreensão da sociedade, da crise moral, dos maldosos de plantão à espera de algum mal que aconteça com os outros para sentirem-se propagadores deste mal e camuflando seus erros e se escondendo da verdade.
Para mim a grande encruzilhada é: como acreditar plenamente em Deus e viver em sua plena dependência e fazer, realizar, esforçar-me acreditando que tudo depende das minhas ações, decisões e comportamentos.
Como separar bem os papéis: o que é de Deus e qual é o meu papel a desempenhar no grande palco da vida? Ainda não permitindo inverter os papéis; pois muito facilmente pensamos ser Deus e agimos como se assim fôssemos e assim fugindo da realidade e pensando que tudo podemos e que não existe limite para nada.
O salmista assim escreveu: “ Senhor tu me sondas e me conheces. Tu conheces o meu sentar e o meu levantar, de longe penetras o meu pensamento” (Sl 139, 1-2) terminando, peço a Deus: ensina-nos e aumente nossa fé para nos esforçarmos no que depende de nós e acreditar sempre na dependência do Senhor, que é o sentido maior de nossas vidas.
Um bom dia a todos e que nesta semana que se inicia possamos nos esforçarmos ainda mais, para que sejamos cada dia melhores, fazendo jus ao que somos, a imagem e semelhança de Deus, fazendo sempre a nossa parte e acreditando que Deus está sempre no comando de nossas vidas, sempre.