Colunas

O vaso, a vaia, o leão e o zebu

Torcedor morre com um vaso sanitário atirado sobre sua cabeça. Um leão é roubado. Um médico abandona o plantão alegando não estar preparado para atender casos graves. Dilma vaiada na Expo Zebu em Uberada. O noticiário nos traz um Brasil cada vez mais caricato e burlesco. Como naquela frase do jornalista Moisés Naim: “O Brasil […]

Torcedor morre com um vaso sanitário atirado sobre sua cabeça. Um leão é roubado. Um médico abandona o plantão alegando não estar preparado para atender casos graves. Dilma vaiada na Expo Zebu em Uberada.

O noticiário nos traz um Brasil cada vez mais caricato e burlesco. Como naquela frase do jornalista Moisés Naim: “O Brasil é um gigante político, mas um anão moral “

As vésperas da convocação da seleção do Filipão , a imprensa internacional repercute o episódio no Estádio Arruda, no Recife. Um vaso sanitário arrancado do banheiro do estádio e atirado na cabeça de um torcedor, cuja morte desnuda a fragilidade da segurança nos estádios,

Quando se poderia exaltar o avanço genético do gado zebu , a imprensa destaca a vaia que a  Presidente Dilma tomou na abertura da Expo Zebu em Uberaba. O público do agronegócio, sofrido nas agruras do arrocho fiscal e tributário,  simplesmente não se deixaria levar pela lábia presidencial, sempre burilando na sua aquarela o mesmo matiz e a mesma nuance da promessa.

Nelson Rodrigues já dizia que em estádio lotado, platéia vaia até minuto de silêncio.

Ainda transitando pelo reino animal, nem mesmo a qualidade genética do rebanho bovino brasileiro estampada em Uberaba foi capaz de impedir o destaque que o noticiário deu ao roubo de um leão em São Paulo. A criatividade do brasileiro é espantosa. Uma bela espécime do rei dos animais, pesando 400 quilos, simplesmente foi dopado e roubado, levado  para um local distante no Paraná.

O burlesco noticiário da semana ainda nos traz a notícia de que um médico em Contagem abandonou o plantão alegando não estar preparado para atender casos mais graves. Triste Terra de Pindorama. Como diria Mário de Andrade, autor de Macunaíma: “muita saúde e pouca saúde, os males do Brasil são”.