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Zé Henrique, o sacerdote da política

A partida de José Henrique Lisboa Rosa para a vida celestial deixa um grande vazio, um fosso abissal na política mineira. Política entendida  como arte de servir ao próximo. Zé Henrique conseguiu gravar com letras de ouro seu nome na política mineira sempre como um dos deputados estaduais mais votados. Tendo como mestre seu sogro, […]

A partida de José Henrique Lisboa Rosa para a vida celestial deixa um grande vazio, um fosso abissal na política mineira. Política entendida  como arte de servir ao próximo.

Zé Henrique conseguiu gravar com letras de ouro seu nome na política mineira sempre como um dos deputados estaduais mais votados. Tendo como mestre seu sogro, o pranteado ex-deputado José Laviola, o discípulo herdou do mestre a ação evangelizadora em que a vida humana era questão prioritária no dia a dia da efervescência do gabinete legislativo.

Raramente o gabinete de Zé Henrique estava vazio, ao contrário de outros espaços parlamentares. Ali nunca um pobre, um desvalido, um órfão deixou de ser atendido. O gabinete de Zé Henrique sempre funcionou como um bálsamo, um lenitivo para atendimento daqueles desamparados da política publica oficial da saúde, quase sempre inerte no momento da dor.

Mais do que o atendimento e a estrutura colocada à disposição de centenas e milhares de cidadãos e cidadãs da região leste de Minas, naquela sacrossanta vontade permanente de servir, Zé Henrique tinha sempre o ombro amigo para chorar as dores dos que padeciam pela doença ou pela perda do ente querido. Ou exibia o sorriso do homem simples e humilde que sabia compartilhar com aqueles que nele confiaram o voto também os momentos de alegria e de esperança.

Com  esse sorriso combateu, com esse sorriso Zé Henrique venceu. Esse sorriso iluminou a aurora de sua vida . E ao chamá-lo aos páramos celestes, a Providência Divina cuidou de deixar estampado em seu rosto aquela aureola de serenidade que somente os iluminados possuem. Quem o viu em seu corpo físico inanimado no esquife, certamente sentiu seu espírito de luz que doravante será estrela reluzente no céu para continuar iluminando os caminhos que percorreu na vida terrestre.

Não há caminho de chão desses altiplanos das Alterosas, não há pedaço de chão que não tenha sido percorrido por Zé Henrique nesses mais de vinte anos de vida publica que não tenha a pegada de Zé Henrique. Como os passos do Apóstolo Anchieta na catequese dos povos primitivos da Terra Brasilis, Zé Henrique percorreu terras batidas pelo coração. Tal como seu inspirador José Laviola, sabia como poucos políticos dessas Minas abaixar no chão e colar o ouvido na terra para captar o mais profundo sentimento dos moradores das comunidades.   

Nem a amputação de uma das partes impediu-lhe de continuar dando passos. Não os passos perdidos dos neófitos . Não os passos trilhados rumo ao caminho do mal pelos políticos corruptos e deletérios que envergonham a bravura cívica da grei política que construiu nessas montanhas a insurreição contra os poderosos e gravou como regra de ouro o mandamento político do senso grave da ordem.
Mesmo limitado em seus movimentos físicos, Zé Henrique continuou a dar passos resolutos  sempre conduzindo à clareira do bem e da ética. Jamais o vimos trilhar por caminhos tortuosos.  Nunca o surpreendemos com desvio ético ou de caráter.

 As cinco pontas de sua estrela que hoje reluz no firmamento simbolizam a sua vida de pai extremado devotado à familia, de amigo solidário, de servidor exemplar do Legislativo Mineiro, de parlamentar sério e comprometido com as causas sociais e de homem público que sempre cultuou a política como arte do sacerdócio e da tolerância.