Semana passada escrevi sobre a convivência humana, fiz algumas ponderações e deixei em aberto a questão da convivência no tocante ao outro que convive comigo. Tenho algumas ideias e o tempo nos faz amadurecer e ter convicções mais claras acerca de determinado tema.
Em alguns momentos da vida somos mais meticulosos em emitir tais opiniões, talvez em função do politicamente correto, o medo de ofender algumas pessoas ou até mesmo em ficar eternamente em cima do muro. É verdade que nossas opiniões, ideias são inconclusivas e mesmo imperfeitas; dependem muito do nosso lugar social e das convicções que temos; mas temos o direito de tê-las e de expressá-las.
Hoje me propus a escrever sobre o outro que convive comigo. Quem é esta pessoa? Em que circunstância entrou em minha vida? Por que permaneceu? Qual é a importância dele para mim? Creio que é muito difícil entender o ser humano; às vezes parece que você conhece muito a outra pessoa e de repente tudo desmorona e você passa a ver as atitudes desta pessoa e percebe que confiou na pessoa errada. Nesta altura da reflexão, fiquei a pensar: será que foi o outro que te enganou na sua forma de ser? Será que você se enganou e retardou em reconhecer quem de fato era o outro? Até onde o outro pode ir na tentativa de esconder quem verdadeiramente ele é?
Já bem diz um provérbio popular que se quiser conhecer uma pessoa dê-lhe poder. É verdade, concordo plenamente, só acrescento algumas ideias; além do poder dê também um microfone, deixe que fale à vontade, dê uma plateia, quanto mais publicamente se expor, vai tornando o seu verdadeiro perfil. Em alguns momentos vai expor ideias, vai defendê-las; até aí, tudo bem; depois vai defender as ideias dos outros e defender pessoas também, aí começa a existir o perigo; em muitas ocasiões para defender os outros, abre-se mão de seus princípios e convicções. E o pior de tudo é que é que para defender os outros, leva-se vantagem, permuta-se poder e até as últimas consequências, a pessoa se posiciona a favor de alguém e contra outra, o pior é que muitas vezes esta pessoa já esteve tão próxima de você e até dizia seu amigo.
Posso afirmar com muita convicção, pessoas assim merecem uma atenção especial, talvez por necessidade ou por ofício, você tenha que conviver com ela; mas vale um alerta esta pessoa nunca, digo nunca, será sua amiga. Não confie nela pois, muito provavelmente se traiu a amizade do outro, um dia trairá a sua confiança. Infelizmente, constato que algumas pessoas têm o seu preço; às vezes custam até baratinho, mas custam. E quando uma pessoa se vende, revela o seu caráter e por ter algum tipo de poder, será bajulado e paparicado por alguns, até quando?
Só o tempo para dizer; eu só posso afirmar que já vi quem estava no auge da fama, do poder, cair e sofrer o revés da vida. Acredito no poder da mudança e da conversão e quem sou eu para dizer o contrário; eu só sei que tenho o direito de escolher minhas amizades e pessoas do perfil acima descrito por mim; não fazem parte da minha convivência e se conviver com elas será estritamente por profissionalismo ou por uma necessidade momentânea.
Como acredito em Deus e procuro seguir seu caminho e palavra, é preciso rezar também por estas pessoas, talvez um dia, quem sabe, possam mudar; eu porém, continuo a afirmar: MESMO QUE DIZEM MUDAR É PRECISO FICAR COM UM PÉ, OU MESMO OS DOIS PÉS ATRÁS.
Um bom e santo domingo a todos e uma abençoada semana e que saibamos escolher verdadeiramente nossos amigos e que saibamos também sermos verdadeiros nas amizades escolhidas por nós, não deixando nos levar pelo poder momentâneo, não abrindo mão de nossos princípios e convicções.