Fico sempre a pensar: que avanços tivemos na arte da convivência humana e ao mesmo tempo que retrocessos temos experimentado ao longo do desenvolvimento humano. Para avançar, de alguma forma é preciso retroceder? Seria uma pergunta ou uma afirmação? Talvez possa afirmar que para avançar seja preciso renunciar.
Este tema renúncia é muito importante, mas não é hoje meu assunto principal, só abordei para, de forma comparativa, afirmar que se quero que o ser humano avance, evolua, progrida é preciso haver renúncia; é aqui o meu contraponto do tema que propus escrever; a renúncia está para o crescimento do indivíduo como a solidariedade está para o crescimento do coletivo, da humanidade como um todo.
Acredito que toda pessoa traz consigo a semente da solidariedade. Se por um lado Deus nos dotou desta condição, é preciso desenvolvê-la para, efetivamente, concretizá-la. Abordo alguns pontos importantes que refleti e acredito serem fundamentais para exercer a solidariedade.
Como gosto sempre de propor a dúvida para chegar à conclusão, fica a pergunta: o ato concreto da solidariedade ajuda mais quem pratica ou quem a recebe? Qual a real motivação para ser solidário?
As respostas poderão ser dadas por você que me lê neste momento. Mas outro ponto importante é que para ser solidário é preciso ter tempo e tempo de qualidade para fazer ao outro o que é preciso e necessário, sem esperar nada em troca. É aqui que preciso ampliar a reflexão. Vejo muita gente fazendo alguma coisa, mas no fundo seria desinteresse ou por detrás deste comportamento há interesses ainda não desvendados?
Penso que a verdadeira solidariedade não pode haver expectativa nenhuma de algum possível benefício. Ao fazer esta afirmação sei que vou em desencontro ao que muitos pensam. É verdade que algumas pessoas são solidárias pensando na troca, estabelecem um padrão de comportamento para serem beneficiadas num futuro próximo. Talvez sejam minoria. Acredito, talvez até de forma ingênua que a maioria das pessoas tem boa intenção em praticar a solidariedade.
Usando da comparação da parábola do bom samaritano, narrada em Lucas 10, 25-37, Jesus afirma as três possíveis atitudes do ser humano: os que roubam, os que não fazem nada não roubam, mas também não ajudam), são os omissos e por fim a terceira atitude, os que são solidários, pois ajudam, mesmo desconhecendo quem precisa da ajuda. Este ensinamento de Jesus, para mim, é o coroamento do entendimento da solidariedade: atender ao desconhecido, tratar, buscar a cura, dedicar, gastar o tempo com o outro e ainda gastar recursos financeiros para completar plenamente a ajuda.
Entendida desta forma, a solidariedade é um ideal constante a ser buscado e nunca uma realidade pronta.
Creio que precisamos ampliar o debate, a discussão deste tema tão importante; não podemos permitir que os avanços da modernidade, do mundo tecnológico nos afaste do mundo real, do mundo onde as pessoas vivem mesmo; há uma grande tentação em nos isolar e nos afastar das pessoas; isto devido a muitas decepções que algumas pessoas nos fazem; mas não pode ser a minoria de um comportamento que nos fará retroceder ou desacreditar no ser humano; criados que fomos a imagem e semelhança de Deus precisamos unidos e em solidariedade lutarmos com todas as nossas forças para continuar edificando uma sociedade justa, fraterna e igualitária.
Desejo a todos um bom Domingo e uma semana abençoada, que tenhamos tempo para sermos solidários com quem precisa, agindo assim, também nós cresceremos e na dimensão cíclica da vida também nós iremos evoluir mais.