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O voo do governador e o voo do condor

Agnelo Queiroz é governador do Distrito Federal. Agnelo também gosta de voar com muita mordomia, a exemplo do presidente do Senado. Agnelo sucedeu Joaquim Roriz, que perdeu o cargo envolvido em mar de lama de corrupção. Agnelo já voou 16 vezes em roteiro internacional e  33 vezes em destinos nacionais. Com grande séquito e comitiva, […]

Agnelo Queiroz é governador do Distrito Federal. Agnelo também gosta de voar com muita mordomia, a exemplo do presidente do Senado. Agnelo sucedeu Joaquim Roriz, que perdeu o cargo envolvido em mar de lama de corrupção. Agnelo já voou 16 vezes em roteiro internacional e  33 vezes em destinos nacionais. Com grande séquito e comitiva, como os xeiques das arábias ou os marajás do continente indiano.

Agnelo abre licitação para contratar um jatinho particular ultramoderno, ao custo de 1 milhão 300 mil por ano.  Com Marx no final no Século XIX e Freud no início do Século XX , passamos da era filosófica antiga para o moderno otimismo racionalista. Mas com isso o homem   passou a viver o dilema da distinção entre o público e o privado. Desgraçadamente, os políticos da Ilha da Fantasia em que se transformou Brasília não fazem tal distinção.

Agnelo gosta de voar com avião particular lotado de assessores e “aspones”. Não imitou o exemplo espartano do ex-governador Cristóvão Buarque, do PDT, uma das últimas reservas morais da política, espécie de orquídea no pântano em que se transformou a política brasileira. Cristóvão Buarque viajava de avião de carreira, como qualquer mortal, acompanhando apenas de um ou dois assessores.

O jatinho de Agnelo vai torrar 1 milhão 300 mil reais por ano, fora as despesas de bordo da grande comitiva. O mesmo Agnelo que fugiu dos repórteres do programa CQC quando flagrado usando dinheiro público para caluniar adversários pela Internet.

Esse é o voo do governador, recheado de mordomias, estilo nababesco que parece comportamento atávico de certos políticos tupiniquins.

O voo do governador nada lembra o voo do condor, o gigante pássaro dos Andes, que não gasta energia durante o voo. Usa apenas a corrente de ar quente, a chamada térmica ascendente, para se manter no ar. As asas grandes e largas ajudam nesse planeio que aproveita apenas o ar, um dos elementos da natureza.

O voo do governador e o voo do condor.

Um, a aberração da natureza patrimonialista, onde o público , como na quarta regra da alquimia de Paracelso , se transmuta de metal inferior ao ouro para enriquecer cada vez  mais a realeza.

O outro, o voo do condor, livre, leve e solto ditado apenas por um dos elementos da natureza. Elevação e sublimação, que deveriam ser virtudes cardeais nas regras de comportamento dos políticos brasileiros