Acredito que este tema é muito sugestivo e pode trazer interpretações variadas. Às vezes um tema deixa margem para várias interpretações; algumas, talvez, previamente pensadas por quem escreve e outras, talvez tão inusitadas que nem a própria pessoa que escreveu poderia imaginar. Creio que este assunto se encaixe neste pensamento. Vou aguardar para ver o que vai dar.
Uma pergunta básica e prévia: Por que sentimos vergonha? O que é mesmo a vergonha? Antes de tentar responder, faço algumas considerações. Acredito que a vergonha é sempre um sentimento posterior a um fato, dizendo isto, ainda não disse nenhuma novidade, mas a vergonha se dá posteriormente a uma decisão, a um momento planejado por mim e que, talvez, não tenha dado certo; vou avançar ainda nesta reflexão.
Creio que você caro (a) leitor(a) concordará comigo quando digo que todos nós temos algum tipo de vergonha. É muito natural sentir vergonha em ler em público, falar em público; sobretudo se for de improviso, nem pensar; a vergonha será ainda maior; por causa deste tipo de vergonha, a pessoa pode se anular e perder muitas oportunidades. Existem muitas formas de superar este trauma e deixar de lado esta vergonha.
Especificamente neste caso, é preciso treinamento, coragem para se expor, dominar bem o assunto, ter tranquilidade ao falar, saber se comunicar, ter humildade sempre para aprender, saber que em alguns momentos a vergonha será maior, mas que no fundo mesmo não é preciso ter vergonha.
Vou elencar algumas constatações que sentimos vergonha, você, certamente, tem outras a acrescentar, vejamos alguns tipos de vergonha: quando sou repreendido publicamente por alguém, quando preparo uma festa e a comida acaba antes da hora, quando tropeço na rua e caio, quando vou pagar uma conta e vejo que não trouxe a carteira, quando meu carro estraga no meio da rua, quando sou reprovado num exame… e muitíssimas outras situações, é só lembrarmos que aparece muito mais. Creio também que o tempo nos faz amadurecer e superar algum tipo de vergonha que temos.
Em casos de menor importância a vergonha pode ser facilmente superada. Mas existem alguns tipos de vergonha que trazem uma comoção muito maior. Existem, portanto, vergonha e vergonha; existem fatos que trazem vergonha e existem pessoas, que por si só, pelas suas atitudes, elas próprias são a vergonha.
Pode ser que quem assim age e procede nem tenha esta consciência, talvez tenha e seja desprovida de caráter, honradez, seriedade, ficando a pensar que o tempo faz tudo ser esquecido. Quando tomo uma decisão na qual desviei o foco da mesma e talvez com argumentos errados, desconexos e sem sentido, torno-me a vergonha para toda uma sociedade. Será que quem assim procede sabe o que está fazendo? Creio que sim, pois pode, digo pode, ter sido levado por caminhos outros, por vantagens financeiras, por pressões psicológicas, pelo poder, pela fama, por vaidade, por ter o direito a decidir errado.
Será que a pessoa sente vergonha do que fez? Às vezes não, pois deixou-se levar por grupos ou pessoas que não tem escrúpulos e que tudo pode ou é permitido.
Acredito que precisamos ter sim, a santa vergonha e não ter atitudes que possam manchar nossa honra e a moral e que não sejamos a vergonha para os outros; para que isto aconteça precisamos avançar muito na dimensão da fé, do equilíbrio e da maturidade.
Que o Deus da vida nos ajude a não ser vergonha para os outros.