Este tema é muito complexo, o consumismo já foi falado, escrito, debatido por muitas pessoas; muitas coisas que aqui escreverei, certamente, já foram pensadas e escritas por muitos, mas é sempre bom e oportuno lembrar algumas ideias e trazer à nossa mente o desejo do conhecimento e da aprendizagem.
Hoje vivemos no mundo marcado pela propaganda, pelo desejo intenso de vender, comprar, gastar, consumir, ter, ostentar e muitos outros verbos que expressam sempre a vontade de possuir mais. Quero enveredar por um caminho diferente acerca do consumismo.
Talvez devesse falar do consumismo das coisas, da moda, do desejo intenso da pessoa em sempre querer mais, do gastar o que tem e o que não tem, das compras inúteis, do modismo temporário, das coleções dos artistas, do visual da atriz, do tênis do jogador, do aparelho eletrônico do playboy, do cartão de crédito. De tudo isto e muito mais, já temos material farto, se bem que mereça algumas reflexões mais atualizadas que nos faça pensar e agir de forma diferenciada e que fôssemos consumidores mais conscientes.
Quero, no entanto, falar, na verdade escrever sobre o consumismo das ideias, dos conceitos, daquilo que ouvimos, lemos, vemos e experimentamos através dos meios de comunicação. Qual o poder da mídia em nossas mentes? O que os grandes veículos de comunicação estão transmitindo? Além de querer vender seus produtos através das propagandas, o que estes meios fazem para transmitir suas ideias de forma sutil?
Faço já uma afirmação: estamos sendo consumidores de ideias, comportamentos, modos de viver, da forma como nos apresentam; creio que esteja faltando uma reflexão mais profunda acerca do que nos apresenta. A repetição de condutas dos artistas, dos apresentadores e daqueles que apresentam notícias e mesmo entretenimento; criam um ambiente diferente na vivência das famílias; estão como que criando novos comportamentos e apresentando uma sociedade permissiva, está chegando aos nossos lares uma forma de vida que não queremos, não desejamos, não pactuamos, não acreditamos, mas sutilmente está entrando em nossos lares e estamos sendo responsáveis pela divulgação destas ideias, elas não estão sendo discutidas em família, nos grupos de estudo e reflexão, talvez não sejam discutidas nas escolas e igrejas; e se são debatidas e discutidas estamos aceitando pacatamente estes posicionamentos e se não aceitamos estamos sem forças para lutar contra os mesmos.
Alguns apresentadores afirmam que apenas mostram o que a vida mesma é; se falam muito de violência é porque a vida é violenta; se criticam e abominam certas classes sociais, dizem eles, é porque tal classe não presta mesmo. Assim, estamos reféns dos grandes meios que nos apresentam seus produtos, suas ideias, seus paradigmas e nós, meros consumidores, aceitamos tudo ou quase tudo e até reproduzimos estas mesmas ideias como se fossem nossas. Parece-me que está faltando um discernimento maior e uma reflexão mais séria à respeito do que chega até nós.
Talvez devêssemos nos perguntar: eu preciso desta informação? O que ela me acrescenta? Ela me ajuda a melhorar minha vida?
Apenas ampliando a reflexão e deixando que ela continue conosco nos ambientes que frequentamos. Não seria o excesso de informação violenta, incitadora de mais violência? Não seria a propagação da vida fácil, da fama, do poder, o desejo de alcançar o que não tem, tentando adquirir e ter algo a qualquer preço?
Acredito que este assunto merece muito mais reflexão, que nossas mentes possam se abrir e não acreditar em tudo que lemos, ouvimos, ou vemos; que sejamos consumidores, em seu sentido lato, mas não repetidores apenas, que sejamos mais críticos e desconfiados acerca do que chega até nós.
Que Deus nos abençoe nesta semana e que caminhemos sempre mais em busca de um ideal de vida mais próximo do projeto de Deus.