MANHUAÇU (MG) – O ambientalista Eduardo Bazém esteve na Câmara Municipal de Manhuaçu para falar sobre uma história que já dura mais de quatro décadas: a descoberta dos muriquis na Mata do Sossego, na divisa entre Manhuaçu e Simonésia, e a criação da Associação dos Amigos do Meio Ambiente (AMA), entidade que ele próprio fundou e que este ano completa 39 anos.
A passagem pela Casa Legislativa marcou também os 42 anos da primeira expedição de Bazém às matas da região, em abril de 1984, quando teve o primeiro contato com os muriquis-do-norte, um dos primatas mais ameaçados do planeta e símbolo da preservação da Mata Atlântica no Leste Mineiro. Amigos da AMA e apoiadores da causa ambiental acompanharam Bazém na reunião.
Uma descoberta quase acidental
A história começou no Cineclube Limite, espaço que existia em Manhuaçu na década de 1980 e exibia filmes fora do circuito comercial. Foi ali que Bazém apresentou “O apelo do muriqui”, produção em inglês sobre o primata. A repercussão entre amigos e conhecidos, entre eles Geraldinho da Vacina, Geraldo Juvenal e José Mineirinho, trouxe a informação de que aquele mesmo animal do filme vivia numa mata em Simonésia.
A partir daí, Bazém organizou expedições à região. Em uma delas, fotografou um bando de muriquis e enviou as imagens, ainda em papel, ao departamento de primatologia da UFMG. O pesquisador Célio Vale confirmou a espécie, dando início a um trabalho de pesquisa e preservação que, três anos depois, em 1987, resultou na fundação formal da AMA, considerada pioneira entre as entidades ambientais do Leste de Minas Gerais.



Décadas de luta pela preservação
Ao longo dos 39 anos de existência, a AMA se consolidou como referência em ações educativas e de preservação ambiental na região, sempre ligada à defesa da Mata do Sossego e da biodiversidade da mata atlântica local. Ele pontuou a prestação de contas dos trabalhos que a entidade realizou, inclusive com recursos de emendas parlamentares nos últimos anos, por iniciativa de vereadores.
Um dos principais desdobramentos desse trabalho também foi a criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural Sossego do Muriqui, área de 339 hectares adquirida pelo Grupo Curimbaba e registrada como unidade de conservação no Instituto Estadual de Florestas (IEF) em 2018.
Na Câmara de Manhuaçu, Bazém relembrou os bastidores daquela primeira expedição e reforçou a importância de manter viva a mobilização em torno do tema junto às novas gerações. “Nós acreditamos que somente com a participação do ser humano, conhecendo e vivenciando no dia a dia de uma floresta, ela pode ser respeitada e preservada”, já destacou o ambientalista em outras ocasiões ao contar a trajetória da entidade.