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Deputado iô iô do Supremo

João Paulo Cunha é um político brasileiro.  João Paulo é deputado federal. Pelo PT de São Paulo. Foi presidente da Câmara dos Deputados entre 2003 e 2005. João Paulo Cunha é um mensaleiro. Foi condenado pelo Supremo pelos crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. João Paulo é deputado federal condenado transitado em […]

João Paulo Cunha é um político brasileiro.  João Paulo é deputado federal. Pelo PT de São Paulo. Foi presidente da Câmara dos Deputados entre 2003 e 2005. João Paulo Cunha é um mensaleiro. Foi condenado pelo Supremo pelos crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

João Paulo é deputado federal condenado transitado em julgado. Sua prisão foi decretada pelo Ministro Joaquim Barbosa no dia 06 de janeiro, antes de o presidente do Supremo viajar de férias . Ocorre que não houve tempo hábil para Joaquim Barbosa assinar o mandado de prisão.

João Paulo Cunha, numa cena hilária, trágica, se não fosse cômica, ao melhor estilo de ópera bufa, chegou a ir a Brasília oferecendo as mãos e o punho para ser algemado e preso, recolhido na Papuda. Mas sua ordem de prisão não foi assinada. Viajou de São Paulo a Brasília, de Brasília a São Paulo.

João Paulo Cunha virou io iô do Supremo.

Os ministros plantonistas, na ausência de Barbosa , poderiam  ter simplesmente assinado a ordem de prisão. Enquanto isso, João Paulo Cunha chamou de “gesto de pirotecnia” a decisão do presidente do STF. Mas o Ministro Joaquim Barbosa rebateu na bucha: “condenados por corrupção devem ficar no ostracismo” e não ter espaço em “páginas nobres” de jornais”.

Disse o implacável Ministro Joaquim Barbosa: “”Esse senhor foi condenado pelos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal. Eu não tenho costume de dialogar com réu. Não faz parte dos meus hábitos, nem dos meus métodos de trabalho ficar de conversinha com réu.”  E arremata: “A pessoa, quando é condenada criminalmente, perde uma boa parte dos seus direitos. Os seus direitos ficam na hibernação, até que ela cumpra a pena.”
 É mesmo um disparate um condenado por corrupção com prisão decretada dizer aleivosias contra  um ministro do STF.

Sobraram também farpas ao advogado de João Paulo Cunha que tentou ironizar a viagem do Ministro Joaquim Barbosa para Londres e Paris. De  bate pronto, Barbosa disparou: “Um advogado vir a público fazer grosserias preconceituosas contra um membro do Judiciário que julgou seu cliente é prova de um déficit civilizatório”.

Mesmo em férias, Barbosa cumpriu agenda oficial na sua luta desabrida e intimorata contra a corrupção. Em Londres se reuniu a portas fechadas com o parlamentar Kenneth Clarke, ex-secretário britânico de Justiça, e especialista em programas anticorrupção. Proferiu palestra no tradicional Kings College. Em Paris, discursou no Conselho Constitucional, o Supremo Tribunal francês.

João Paulo é mensaleiro e condenado. Deputado federal transitado em julgado. E Joaquim Barbosa vai se firmando como uma espécie de um novo Perseu, aquele herói da Mitologia Grega que conseguiu decapitar a Medusa.

Com seu gládio afiado, Joaquim Barbosa vai cortando impiedosamente as cabeças de Medusas que surgem aos milhares nos labirintos de Brasília